Monitores em Braille! Incrível, Vó! Aparpa, Dona Judith!


Hoje quando passei pelo quarto da Vó tive mais uma surpresa, ela tinha visita, mas não era uma visita qualquer, era a Dona Judith. Não quis acreditar, logo a Dona Judith?

Não posso fingir achar normal que a Vó tenha colocado essa insana anciã dentro de casa, em contato com nossa família! Essa mulher me causa arrepios! Só pra esclarecer as razões de meus desagradáveis sentimentos: Certo dia, quando eu tinha apenas três aninhos e passeava de Velotrol na calçada da véia, ela atirou sobre mim, como numa pescaria, a sua anágua mais fétida. Quem em seu estado normal de consciência atiraria sua intimidade pela janela numa tentativa frustrada de captura de uma garoto?


Pela manhã as duas anciãs estavam em frente ao computador da Vó, passei em frente à Dona Judith, queria mostrar em meus olhos que eu não tinha esquecido o que havia me feito, mas antes de qualquer coisa ela me disse: Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias). E eu tive a mesma reação daquele fatídico dia da anágua, pedalei com lágrimas nos olhos!


Insatisfeito comigo mesmo enchi o peito de brio e voltei ao quarto da Vó, e numa atitude adulta me escondi, só pensava em descontar meu sofrimento, fazê-la pagar, e enquanto preparava minha arma de elástico e papel molhado com o intuito de paralisar a Dona Judith fiquei ouvindo o diálogo da duas velhinhas:



Vó: Entendeu?
Dona Judith: Entendi. Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).
Vó: Agora passa a mão aqui. Sentiu?
Dona Judith: Senti. Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).



Eu não estava entendo nada, esse diálogo de conteúdo duvidoso estava me deixando perplexo, não seria possível que aquelas duas anciãs estivessem fazendo o que eu achava que elas estavam fazendo. Com muita cautela levantei os olhos na tentativa de eliminar meus tórridos pensamentos, queria acreditar que o que elas estavam fazendo era apenas algo educativo ou surpreendentemente sem malícia, e num piscar de olhos tudo ficou claro, elas estavam apalpando a tela do computador e o mais surpreendente foi que a tela estava em Braille, ou seja, a conclusão é que a Dona Judith é cega e a Vó estava ensinando a pobre velhinha a usar o computador. Mas ainda não estava esclarecido o porque de seu ódio em relação a minha pessoa, decidi puxar assunto com muita simpatia e sagacidade:



Alexandre: Bom dia, Dona Judith! Bom dia, Vó!
Vó: Bom dia, Fio!
Dona Judith: Bom dia, Fio! Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).
Alexandre: Mas o que é isso, Dona Judith? O que eu fiz pra senhora?
Vó: Ela tem pobrema! (grafia alterada pra dar mais realismo).
Alexandre: Mas que problema é esse? O que eu fiz pra senhora, Dona Judith?
Dona Judith: Nada, uai! Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).
Vó: Tourette! Síndrome de Tourette! Besteirenta! Não é por mal, não! Não é por mal!
Alexandre: Me desculpe, Dona Judith! É aquela síndrome que a pessoa fala palavrão do nada, né?
Dona Judith: É, meu fio! Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).
Alexandre: Também não sabia que a senhora era cega. Mas me explica o que é isso? Como funciona este monitor em Braille?
Dona Judith: Estudos realizados na Universidade da Carolina do Norte nos Estados Unidos criou uma Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias) de uma tecnologia de monitores em Braille mais barata do que as já desenvolvidas.
Alexandre: E como isso funciona, Dona Judith?
Dona Judith: A tela é feita de um Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias) de um polimero eletroativo de característica elástica e de baixo custo que permite mapear os pixels e criar imagens e alto relevo, e depois de elevar os pontos na tela a tecnologia ativa um mecanismo de fachamento que suporta a pressão do dedo humano para a leitura em Braille.
Alexandre: Mas ele consegue acompanhar o ritmo da Internet?
Dona Judith: Consegue. O Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias) do sistema tem resposta ágil e, ao contrário de outras telas, mostra a Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias) da página inteira.
Alexandre: Obrigado, Dona Judith. A senhora é muito agradável, apesar de tudo.
Dona Judith: Por nada, Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).
Alexandre: Vou indo. Tchau, Vó! Até mais, Dona Judith!
Dona Judith: Fia da ptua! Cecate! Craahlo! (grafia alterada por questões etárias).



Agora eu estava mais tranquilo, porém ainda havia uma dúvida: porque ela me atirou sua fétida anágua na minha infância? Perguntei pra Vó e ela me respondeu:



Vó: Seu João! Aparpanu! Tava aparpanu! (grafia alterada pra dar mais realismo).
Alexandre: O que tem o Seu João?
Vó: Tava lá! (fazia sinais obscenos com as mãozinhas).
Alexandre: Não entendi.
Vó: Safadeza!
Alexandre: Ah, entendi. Aparpanu. Eita, Dona Judith!



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http://olhardigital.uol.com.br/digital_news/noticia.php?id_conteudo=11213




Texto: Alexandre Ferrari


Animação: Gustavo Ferreira

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