Que maravilha o "Plano Fantasia" da AIRBUS!



No último domingo, dia 25 de junho de 2010, foi encerrada a Feira da Aviação "Farnborough" no Reino Unido, e adivinha quem estava lá? A Vó!

Por mais que conheça a Vó, ela sempre me surpreende, seja no mundo virtual ou no mundo real ela está sempre dando um jeito de causar impacto e admiração. Quem a vê assim meiguinha e com seus olhinhos atentos, não imagina a velocidade de processamento de dados presente naquele corpinho, as informações processadas ali dentro são sempre redirecionadas para o infinito, não existe hipótese ou parâmetro que não seja revisto e recriado por sua mente através da sua imensa capacidade de criar saltos quânticos em suas ondas e-cerebrais. E por essa capacidade a Vó foi considerada um símbolo do terceiro milênio, a expressão da capacidade cerebral humana, um ícone da criação tecnológica, o reflexo da inteligência que viaja através dos tempos: a Mulher Maravilha!



A Vó foi direto do Comic-con para o Farnborough International Airshow! Sem retirar de seu pequeno corpo as vestes maravilhosas que formavam sua fantasia, a Vó pegou um avião, para isso apresentou seu passaporte compartilhado em nome de Olívia Jackson, e voou para o Reino Unido onde seria homenageada na maior feira da aviação do mundo. E a homenagem não poderia ser em melhor estilo, a AIRBUS desenvolveu um avião que é tudo o que a Mulher Maravilha do mundo real (vulgarmente chamada de Vó) sempre sonhou: piso transparente igualzinho ao piso do avião da Mulher Maravilha dos quadrinhos, por onde podemos ver tudo que está "lá embaixo" e também projeções holográficas de decoração digital que mudam o cenário transformando o ambiente interno do avião em um quarto, um jardim zen ou o que mais imaginarmos, tudo isso faz parte do "plano fantasia" apresentado por eles.



A Vó, mesmo com sua inimaginável capacidade de análise e processamento de dados ficou perplexa, extasiada e muitíssimo amedrontada. Quando entrou no avião e não viu o chão onde pisava ficou paralizada, procurava sua bengala sem olhar pra baixo, com os olhinhos estáticos e focados num ponto fixo no teto começou a andar para trás, as perninhas tremiam mas não paravam seu movimento uniformemente variado em direção à saída. Segundo relatos das aeromoças, nada pôde deter seu passo-reverso e a Vó conseguiu voltar para o "chão firme" se dirigindo instintivamente para a cabine do piloto, quase estragou a homenagem para si mesma quando ameaçou abandonar o evento mas então teve a originalíssima ideia que teve para desviar o foco do medo: Pilotar! Sentou na poltrona do piloto, colocou o quepe, os fones de ouvido, ajeitou o microfone na direção de sua boca mesmo sem a intenção de dirigir uma só palavra à torre de comando, alongou os musculinhos das mãozinhas, dos bracinhos e segurou o manche com toda a firmeza necessária a um piloto.



Vó: Vou pilotar!
Piloto: Desculpe, Vó! Mas a senhora não pode pilotar sem um brevê.
Vó: Vou pilotar! Vou pilotar!
Piloto: Não conseguiremos permissão para a senhora levantar vôo. É impossível!
Vó: Nada é impossível! Nada é impossível para a Mulher Maravilha!
Piloto: Vó, a senhora está passando dos limites.
Vó: Limite? O céu é o limite!
Piloto: Vó, a senhora somente está usando uma roupa de Mulher Maravilha, mas não é realmente a Mulher Maravilha!



A Vó paralisou novamente. As palavras do piloto viraram chamas ao entrarem em contato com a atmosfera e-cerebral da Vó, se transformaram em mantras incandescentes e troxeram das profundezas de seus sistemas de armazenamento e processamento de emoções uma força mental que teria a capacidade de movimentar seres vivos pelo espaço e mudar o sexo das pessoas, mas ela não quis mexer com isso. O choque com a realidade trazido pelas palavras inconsequentes do piloto trouxe também ao seu display craniano pensamentos estranhamente perplexos e incontroláveis, agitou seu sistema de expressão de sentimentos, um gosto estranho de bala "Juquinha" veio a sua boca trazendo sensações só vividas nas manhãs de domingo da década de oitenta quando assistia "Domingo no Parque" com seus netinhos, e a partir daí a interface de controle do ambiente do avião foi dominada por seu pensamento, e sem pestanejar e nem ter consciência de seus atos transformou o cenário de projeções holográficas de decoração digital em um programa de auditório, as aeromoças se transformaram em dançarinas enquanto o piloto se transformou em ninguém mais, ninguém menos do que Sílvio Santos.



A manhã de domingo de 25 de julho de 2010 se transformou na manhã de um "Domingo no Parque"! Fantástico! Incrível! A Vó havia conseguido ser o AIRBUS, ser o ar do AIRBUS, ser a gasolina do AIRBUS, a sua fantasia de Mulher Maravilha entrelaçou suas tramas atômicas à epiderme de seu corpinho criando ligação com a matéria de tudo o que existe e isso fez com que ela transformasse a realidade à sua maneira, de alguma forma ainda incompreensível a nós seres humanos comuns e semi-comuns, ela conectou sua consciência à uma consciência maior e total que rege o movimento energético do universo, e, num raio de 127m, tomou o controle de tudo o que fosse constituído por moléculas de carbono, e assim ganhou vida no mundo real a Mulher Maravilha. Com seu laço mágico em punho não deixou que nenhum tripulante saisse, e com pompons nas mãos, cada tripulante virou uma autêntica e ingênua criança nascida em 1976 que aplaudia mais um "Domingo no Parque".



Piloto: Ma, oiii! Vou chamar ao palco a maior atração do Farnborough International Airshow:
Vóóóóóóóó! Vem pra cá, vem pra cá! Dançando e rodando, oiiii! A senhora veio com a
caravana de onde?
Vó: Taubaté! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Piloto: Vó, conhece a brincadeira do pin?
Vó: Um, dois, três, pin! Cinco, seis, sete, pin! Nove, dez, onze, pin! Treze, catorze, quinze, pin! Dezessete, dezoito, dezenove, pin!
Piloto: Posso falar? Posso falar? O Sílvio Santos fala ou não fala? A senhora já ganhou! E o prêmio é: Pilotar o novo avião da AIRBUS!



A Vó não pensou duas vezes, mesmo porque naquele momento não havia pensamento, mas a consciência universal que dominava seu corpinho. E na cabine do piloto, sem co-piloto, pediu permissão para decolar e decolou.



O Farnborough International Airshow agora estava completo. Homenagens e homenageados haviam desempenhado seus papéis no cenário real da vida humana e a demostração tecnológica mais incrível já vista no mundo da aviação havia se realizado com o sucesso e a grandiosidade esperados, e tudo isso graças aos superpoderosos superpoderes da Vó e seu alterego, agora denominados: Mulher Maravilha.



Texto: Alexandre Ferrari


Ilustração: Gustavo Ferreira




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http://www.farnborough.com

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