Um herói feito de estopa

Apadrinhado pelo queridinho do público Tim Burton, "9 - A Salvação" derivou de um curta metragem, de mesmo nome, criado em 2005, e que rendeu à Shane Acker uma indicação em Melhor Curta-Metragem no Oscar de 2006. Confira a crítica.


Um mundo pós-apocalíptico, totalmente destruído pela ganância humana e pela ira das máquinas. É nesse cenário que a animação "9 - A Salvação", do diretor Shane Acker, tem início. 9, o personagem que dá título ao longa, nada mais é do que um simples boneco de tecido, com partes robóticas, que, ao ganhar vida, pensa estar sozinho naquele mundo destruído. Mas não está. Logo, ele descobre que existem outros como ele, e que a situação do mundo não é nada boa.

9 descobre que uma guerra entre humanos e máquinas - criadas por nós mesmos -, resultou na extinção total da raça humana e que eles, bonequinhos de estofa, são os únicos "seres vivos" presentes na Terra. A coisa piora ainda mais quando 9 desperta a "máquina-mãe", que estava adormecida desde o fim da guerra. A máquina tem, agora, um objetivo macabro: possuir as almas presentes dentro de cada um dos bonecos, que fazem com que eles possam viver. A partir daí, o longa mostra as aventuras do grupo para sobreviver à um ataque de máquinas enfurecidas - no melhor estilo "O Exterminador do Futuro" e a SkyNet.

Apadrinhado pelo diretor e queridinho do público Tim Burton, o longa derivou de um curta metragem, de mesmo nome, criado em 2005, e que rendeu à Acker uma indicação em Melhor Curta-Metragem no Oscar de 2006. Mas, mesmo com o tom sombrio característico de Burton, a animação não empolga muito. Tentando seguir a linha Wall-E de ser, 9 trás, logo nos primeiros minutos de filme, vários minutos do mais puro cinema mudo. Mas se no filme da Pixar isso foi usado com maestria, em 9 o recurso gera apenas um desconforto no espectador. São cenas cansativas, que tentam mostrar o quão solitário aquele lugar é... Mas não consegue.

Visualmente falando, o filme é bastante belo. A equipe se esforçou em fazer uma bela direção de arte. Os bonequinhos até são carismáticos, e alguns deles bem convincentes, como o medroso 5 ou os gêmeos-mudos-nerds 3 e 4. Claro que 9, como o título sugere, é o principal na história e, ao mesmo, o causador e a solução de todos os problemas, mas, como personagem, ele é superficial demais.

Se contarmos quantas vezes a Terra já foi destruída, esse número não caberia nos dedos das mãos. Afunilando um pouco mais, se contarmos quantas vezes o planeta já foi destruído por máquinas, ai sim a conta gera um número mais restrito. Mesmo assim, nada que você verá em "9 - A Salvação", é inédito. Ele bebe diretamente da fonte do já citado "Exterminador do Futuro" e até mesmo de "Matrix".

O fato a se levar em consideração, talvez, seja o fato do salvador ser, agora, um bonequinho de estofa. O que não é suficiente para fazer do filme uma obra de arte. Na verdade, o ritmo lento e fraco do filme mostra que, talvez, a equipe precise aprender um pouquinho mais com a Pixar em como fazer um bom filme de animação.

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